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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Como lidar com a grávida



A gravidez, especialmente o primeiro trimestre, atira a mulher para os confins distantes de uma bad trip permanente de hormonas: estrogénio, progesterona, HGC, HPL... Uma vez no Sudoeste vi algo parecido quando uma freak hippie de rastas começou aos berros em frente a um sobreiro. A diferença é que em vez de gritar coisas como 'o pássaro azul chora na árvore que arde!' é mais provável que a grávida grite coisas como 'quero McNuggets!' ou 'tu achas que vou ficar gorda!' quando sugerimos uma salada em vez dos McNuggets. Na pesquisa que fiz não encontrei qualquer referência a nitroglicerina, o que me espantou: era capaz de jurar que a mulher sintetiza este composto em grandes quantidades e que regula o seu estado de espírito por ele. Felizmente, a mãe Natureza sabe o que faz e também deu uma espécie de antídoto: o cansaço extremo. Este cansaço neutraliza a grávida durante alguns períodos do dia. Utilizando uma comparação fácil de entender, fazer um bebé é um esforço equivalente ao Brasil acabar os estádios a tempo do Mundial. Tentem imaginar um enorme estaleiro de construção no útero, com células a correr de um lado para o outro muito atarefadas, todas a reclamar nutrientes muito zangadas: 'esse omega 3 vai aqui para a membrana da célula vascular' e outra 'ai não vai não, esse vai mas é para o nariz' e depois aparece um camião de ácido fólico e é a confusão, com o ADN a gritar que naquele ácido fólico ninguém toca, que é para o sistema nervoso; e depois os outros órgãos todos 'pois, pois, corrupção, é sempre a mesma coisa, o sistema nervoso fica sempre com os melhores nutrientes...'  E com isto, a grávida fica sedada boa parte do dia, diminuindo os possíveis danos da expressão física da sua raiva. É como um cão hiperactivo que nem temos de meter a correr num descampado para que fique sossegado à noite. Este cansaço é mais nítido no primeiro trimestre, exactamente aquele em que as hormonas causam mais impacto no estado de espírito. Aquilo que temos de ter presente é que as alterações hormonais são naturais e necessárias na gravidez, tendo também os seus efeitos positivos, como por exemplo, o aumento dos seios. Assim de repente não me lembro de outro efeito positivo... Mas este é suficiente. A grávida ganha peso, o que é normal, mas não é como a obesidade em que as gorduras são distribuídas de forma uniforme pelo corpo. Graças às hormonas, o aumento de peso nos seios é milagrosamente desproporcional. Não devemos menosprezar a sabedoria da Natureza e os meandros da selecção natural. Ela sabia o que estava a fazer e achou por bem compensar o homem para que este se mantivesse estoicamente dedicado à sua parceira e à sua futura prole, dando-lhe algo a que se agarrar nos momentos mais difíceis e um objectivo: caçar e colectar para providenciar nutrientes para os seios.