quinta-feira, 2 de maio de 2013

é uma menina


Lentamente, a pouco e pouco, vou conseguindo reagir e varrer os estilhaços da bomba que o obstetra me atirou. Já passaram uns meses, mas lembro-me de pouca coisa do que se passou entretanto. Registei que os babygrows começaram a ter motivos femininos e tons rosa e que o meu esquema para construir um pequeno ringue de boxe no quarto do bebé desapareceu da minha secretária, provavelmente surripiado pela Plaft. Se fosse um menino, já estava tudo completamente planeado e saberia exactamente o que fazer em qualquer momento até ele fugir de casa e voltar quinze anos depois com uma garrafa de whisky para me pedir desculpa e admitir que fiz dele um homem a sério. Um menino é uma coisa muito simples de educar e também mais económica. Poderia emprestar-lhe os meus brinquedos todos, desde o volante com force feedback, ao carro telecomandado, passando pela colecção de GI Joes com que quase não brinco desde os 16 anos. Mas uma menina? Não percebo nada de meninas. Nunca percebi. Já tenho dificuldades que cheguem com a Plaft. Agora vão ser duas a dizer "não é nada, deixa lá" e a confundir-me todo e a deixar-me ansioso. Vou trocar tudo e sugerir uma ida ao sushi à bebé e passear a Plaft de carro para a adormecer. Aliás, eu já passeio a Plaft de carro para a adormecer, agora que penso nisso... Entretanto, muitas pessoas já me disseram "elas adoram o pai, são doidas pelo pai" como se isso ajudasse. O meu posicionamento é o do escritor maldito, do género americano decadente dos anos cinquenta, assim a puxar para um alcoolismo militante com misoginia radical. Não posso brincar a isso quando tenho de fazer de pónei pela sala com fitinhas no cabelo para ser 'o pónei mais bonito do reino'. Não é credível, raios. O pior é que vou gostar mesmo dela. Com o miúdo não se corria esse risco. Com o miúdo seria uma relação de competição, teste e provocação. O meu manual de puericultura seria um livro de história de Esparta. As demonstrações de afecto resumir-se-iam a um "boa pá" com palmada no ombro, os dois à beira do javali morto com a sua pequena lança espetada no flanco. Mas uma rapariga? Vai fazer de mim o que quiser!
- Pai pai, vamos ver a Pequena Sereia! 
- Mas querida, já vimos a Pequena Sereia dezasseis vezes. Não podemos ver outra coisa?
- Oh, está bem.
- O que foi?
- Não é nada pai, deixa...

12 comentários:

Palmier Encoberto disse...

Deixa lá... vais ser a pequena sereia mais linda dos oceanos. E o pior... vais gostar :D

DN disse...

ihihihi (só falta ser do sporting para o plano maléfico da plaft estar completo :p)

Mathieu disse...

ahahah

agora tens que mudar o header.

nAnonima disse...

:)))))) menina. do scp. filha de um escritor maldito e de uma mãe Plaft! Tolan, tem tudo para dar certo!

Mais uma vez, Parabéns!

margas disse...

Se forem filmes como a Pequena Sereia não estaraás mal...quando ela começar a falar das Bratz, aí sim há motivos para preocupação!
(E sim é verdade que as meninas são sempre "meninas do papá"!)

A Bomboca Mais Gostosa disse...

LOL. Vai correr tudo bem, não dramatizes ;)
Vão adorar-se mutuamente, e acredita que uma menina não é assim tão complicada, basta estares lá sempre para a ajudar.
O meu pai nunca me ligou puto e acho que não me saí muito mal, por isso creio que se fores um verdadeiro pai, a miúda será um máximo.

Jorge Salema disse...

É verdade que nunca mais poderás tentar ser o Vasco Pulido Valente. Mas também não sentirás falta disso.

R. disse...

Dezasseis? Estimas muito por baixo.

R.

Roger disse...

Ahah ao menos que seja do Sporting :D

marta disse...

boa! estava esperançada que te saisse uma gaija :)

Maria D Roque disse...

Quando ela olhar para ti em modo de adoração ( a Plaft vai ficar seguramente enciumada), vais parecer um glaciar a escorregar mar a dentro, derretido pelos infravermelhos do efeito estufa. E faz muita ginástica, porque vais precisar dum peito enorme para poderes albergar um amor tão grande !!

Tolan disse...

:))